Resposta direta: O artigo fornecido trata exclusivamente de alistamento eleitoral e alistabilidade conforme a CF/88. Não contém informações sobre teoria dos motivos determinantes, que é conceito de direito administrativo não abordado no texto disponibilizado.

O alistamento eleitoral é o procedimento por meio do qual o brasileiro se qualifica como eleitor, obtendo o título eleitoral. A Constituição Federal de 1988 estabelece quem pode, quem deve e quem não pode se alistar: a alistabilidade depende de nacionalidade, idade e capacidade civil, e deve ser distinguida da elegibilidade.

O que a Constituição Federal estabelece sobre alistabilidade?

O art. 14, § 1º, da Constituição Federal de 1988 determina que o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos. Já o § 2º do mesmo artigo estabelece que não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos.

O art. 14, § 1º, II, da CF/88 prevê também que o alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos, para os maiores de setenta anos e para os analfabetos. Essa é a regra constitucional que diferencia alistamento obrigatório, facultativo e vedado.

O Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) regulamenta a matéria nos arts. 4º a 18, detalhando os requisitos para o alistamento. O art. 4º, caput, exige que o alistando seja brasileiro nato ou naturalizado, estar no gozo dos direitos políticos e ter idade mínima de dezesseis anos.

A vedação aos conscritos, prevista no art. 14, § 2º, da CF/88, abrange apenas os que prestam serviço militar obrigatório. Militares de carreira, policiais militares e bombeiros militares podem e devem se alistar normalmente, pois não são conscritos.

Qual é o entendimento consolidado sobre alistamento eleitoral?

O Tribunal Superior Eleitoral consolidou o entendimento de que o brasileiro naturalizado tem os mesmos direitos de alistamento que o nato, exceto quanto à elegibilidade para certos cargos. A naturalização confere capacidade eleitoral ativa (direito de votar) imediatamente após a conclusão do processo de naturalização e o alistamento.

Quanto aos analfabetos, prevalece que a facultatividade do alistamento e do voto está expressamente assegurada pela Constituição, mas há restrição quanto à elegibilidade. A condição de analfabeto impede a candidatura, conforme o art. 14, § 4º, da CF/88, mas não o direito de votar.

Sobre os portadores de deficiência, o TSE firmou posição no sentido de que a incapacidade civil superveniente, após regular alistamento, não retira automaticamente a qualidade de eleitor. A capacidade eleitoral não se confunde inteiramente com a capacidade civil do Código Civil.

Relativamente aos indígenas, o entendimento dominante é que podem e devem se alistar se integrados, sendo facultativo para os não integrados. A jurisprudência reconhece a plena capacidade eleitoral ativa e passiva dos indígenas integrados à comunhão nacional.

Como a alistabilidade costuma cair na prova do Exame de Ordem?

A pegadinha clássica envolve confundir conscritos com militares em geral. A banca apresenta alternativa afirmando que “militares não podem se alistar”, quando a vedação constitucional atinge apenas os conscritos durante o serviço militar obrigatório. Policiais militares, bombeiros e militares de carreira podem e devem se alistar.

Outra confusão recorrente é entre alistabilidade e elegibilidade. A questão traz caso de analfabeto ou estrangeiro naturalizado e pergunta sobre a possibilidade de votar (alistabilidade) ou de ser votado (elegibilidade). O analfabeto pode se alistar facultativamente, mas não pode ser candidato. O naturalizado pode se alistar e ser candidato, exceto para Presidente, Vice e cargos privativos de brasileiro nato.

A FGV costuma explorar a idade mínima com alternativas que invertem os marcos etários. Atenção: dezesseis anos é o mínimo para alistamento facultativo; dezoito anos torna o alistamento obrigatório; setenta anos volta a ser facultativo. Questões mesclam essas idades com situações de conscritos para confundir.

Também aparece a distinção entre brasileiro nato e naturalizado quanto à alistabilidade. Ambos podem se alistar nas mesmas condições, mas a questão induz ao erro ao sugerir que o naturalizado teria restrição no alistamento, quando a restrição é apenas na elegibilidade para determinados cargos.

Por fim, cuidado com alternativas que afirmam que a perda ou suspensão dos direitos políticos impede o alistamento. Na verdade, essas situações impedem o exercício dos direitos políticos, mas não necessariamente o alistamento inicial, conforme o caso concreto e o momento em que ocorrem.

Perguntas frequentes

Militar da ativa pode se alistar eleitor?

Sim, desde que não seja conscrito. A vedação constitucional do art. 14, § 2º, da CF/88 atinge apenas os conscritos durante o serviço militar obrigatório. Militares de carreira, oficiais, sargentos, policiais militares e bombeiros militares devem se alistar normalmente, pois o alistamento é obrigatório para maiores de dezoito anos que não se enquadrem nas exceções constitucionais.

Estrangeiro residente no Brasil pode se alistar eleitor?

Não. O art. 14, § 2º, da CF/88 veda expressamente o alistamento de estrangeiros. Apenas brasileiros natos ou naturalizados podem se alistar. O estrangeiro que obtiver a naturalização brasileira adquire a capacidade de se alistar eleitor, passando a ter os mesmos direitos de alistamento e voto que o brasileiro nato, mas com restrições quanto à elegibilidade para certos cargos.

Analfabeto é obrigado a se alistar?

Não. O art. 14, § 1º, II, “b”, da CF/88 estabelece que o alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os analfabetos. Eles podem escolher se alistar ou não, e se alistados, podem escolher se votam ou não, sem sofrer as sanções aplicáveis aos eleitores faltosos. Importante lembrar que, embora possam votar, os analfabetos são inelegíveis, conforme o art. 14, § 4º, da CF/88.

Menor de dezesseis anos pode se alistar eleitor?

Não. A Constituição Federal estabelece dezesseis anos como idade mínima para o alistamento eleitoral. Quem ainda não completou dezesseis anos não possui capacidade eleitoral ativa, não podendo se alistar. A partir dos dezesseis anos e antes dos dezoito, o alistamento é facultativo. Aos dezoito anos completos, o alistamento passa a ser obrigatório, salvo para analfabetos e maiores de setenta anos.

Quem tem setenta anos ou mais é obrigado a votar?

Não. O art. 14, § 1º, II, “b”, da CF/88 torna o alistamento e o voto facultativos para os maiores de setenta anos. Isso significa que, ao completar setenta anos, o eleitor deixa de ter a obrigação de votar e de justificar ausência, podendo inclusive requerer a exclusão do cadastro eleitoral se desejar. Mas se optar por manter o título, pode continuar votando normalmente.

Vai prestar o 48º Exame de Ordem?

OAB 1ª Fase: Curso Regular Preparatório – 48º Exame de Ordem — cobre todas as matérias da 1ª fase, do zero à revisão, no recorte do que a banca FGV cobra. Acesso imediato e garantia de 7 dias — em 10x de R$ 49,90.

Conhecer o preparatório

Ver todos os preparatórios de 1ª fase

Este artigo teve curadoria da equipe da Legale Educacional e foi produzido com apoio de inteligência artificial. As citações de lei e de artigos de código foram conferidas no texto oficial publicado pelo Planalto.

Continue lendo sobre o tema

Acesso à justiça: garantias legais e jurisprudência

O acesso à justiça, enquanto direito fundamental, exige atuação estratégica do advogado para superar barreiras econômicas, informacionais e estruturais.

Ler artigo

Liberdade de expressão e direitos LGBTQIA+ na legislação

A liberdade de expressão não é absoluta e encontra limite nos direitos da personalidade e na dignidade da pessoa humana.

Ler artigo

Filtros Recursais e Redefinição das Cortes Superiores Brasileiras

Filtros recursais: domínio técnico essencial para advogados. Descubra como demonstrar repercussão geral e evitar inadmissibilidade de recursos. Confira análise completa.

Ler artigo

Fraude à cota de gênero: cassação de diploma versus anulação do Drap

Fraude à cota de gênero: entenda por que anular o Drap protege mulheres além da cassação. Riscos processuais para advogados eleitorais.

Ler artigo